terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Para: Ricardo Eletro, Casas Bahia, Magazine Luíza...

Eu penso que o meu trabalho não é o que eu sou.
De uma certa forma isso não é verdade.
Muitas coisas que circulam na minha cabeça são aprofundadas nas ações do meu dia-a-dia.
Levo informações, doutrino leitores com ideologias apropriadas.
No dia 16 de Março do ano passado, aconteceu uma tragédia, um estudante chamado Cho Seng matou 32 pessoas numa universidade em Virgínia, lembram disso?
Minhas razões ficam atreladas a um empresário que exigiu que a sua publicidade fosse colocada na mesma página que noticiava tal ataque.
O leitor lê esse tipo de notícia e sente a adrenalina.
Um estudante que assassinou 32 pessoas e depois se matou, no rodapé da página "Compre e pague a 1ª parcela daqui a 6 meses".
Isso fomenta vendas. Mantenha a adrenalina e as pessoas consumirão seu produto ou serviço.
Especificações Comerciais
  • Formato: 6col x 15cm - rodapé
  • Veiculação: a definir - pacote para 6 inserções / mês
  • Colocação: notícias sobre tragédias
  • Custo tabela: R$ 120.000,00*
    *base custo varejo + 30% desconto

5 Pesos:

Hassan, o Árabe disse...

isso me lembra alguns documentários sobre sociedade e consumo... ah, veio-me a lembrança de um do michael moore, onde ele expõe a exploração comercial em cima do 11 de setembro... lastimável!

mas que fazer? os negócios não têm sentimento.

Renato Rios disse...

Tragédia vende. Violência vende. Sexo vende (sei que não era o caso, mas vende mesmo)... como disse meu amigo árabe acima, lastimável...
Vez ou outra a gente esbarra nessas questões, independente da profissão... e isso sempre me leva a pensar: que P#&&@ de mundo é esse!?
=/

Henrik disse...

Olhamos, fingindo horror, e na realidade tantos estudos explicativos para provar não sei quê e que mais...quando no fundo a coisa é até ridiculamente simples, crua, feia, há maldade no mundo, e desespero. Há injustiça. O humano, adepto feroz da reciclagem, recicla a violência, o monstruoso, o aberrante, porque no fundo da consciência, sabemo-lo bem, não somos mais que animais que falam e que criam coisas que outros não sabem, chamamos educação ao que é um simples formatar, inteligência à habilidade de manejar objectos e o mundo à nossa volta (e até o extraterrestre). Mas bem no íntimo de nós somos mais monstros do que os monstros mais desumanos que os inumanos mais animais que os animais.

Layla disse...

Demais, a desgraça enriquece o bolso dos outros.

Tyr Quentalë disse...

E viva a jogada de Marketing. É incrível como a desgraça, sempre prende a atenção das pessoas, para isso basta apenas observar como elas reagem no trênsito, quando passam por um acidente.