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sexta-feira, 28 de março de 2008

Detesto ter que sorrir quando estou com raiva

















Estávamos num evento e eu precisava sorrir.
Quanto mais eu sorria, mais meu rosto doía.
Mas ninguém reparou nisso, todos queriam falar sobre coisas banais, comer e beber.
Todos queriam mostrar seus carros caros, suas roupas de marca e seus sobrenomes.
Eu estava alí, sem vontade de falar e sem vontade de estar alí.
Eu estava com raiva de todas aquelas pessoas que nem fizeram nada comigo.
Não gostei do jeito que elas agiam.
Muitas delas passaram pela Savassi antes de chegar alí e também viram os dois acidentes que eu ví.
Algumas delas estavam irritadas porque quase perderam o horário, outras já haviam esquecido.
Só sorriam, comiam e bebiam.
Mesmo assim eu estava alí, fazendo parte daquilo tudo e, acima de tudo, forçando o sorriso.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Existência Paradisíaca


Uma garotinha passou no corredor gritando: Mãe? Mãe?
Foi profundo o anseio. Não dela mas meu.
Vontade de ter aquela antiga proteção absoluta, da segurança, do aconchego no mundo.
Eu e minha mãe não nos damos muito bem.
Por ser mãe, ela sempre teve o direito de ir e vir, de mudar pra lá e pra cá, de estar ou não estar com o meu pai.
Algumas vezes ela nos levava em seus devaneios, mas aos 17 anos decidi não ir sem antes questionar.
Então, com meus 17 anos, faltava alguma coisa.
Alguma coisa que não deveria ter saído do lugar.


segunda-feira, 24 de março de 2008

A seta e o alvo




Cantaram essa música pra mim esse final de semana.

Gosto muito do Paulinho Moska e amoooooo essa música. Agora,

cantada pra mim, bem ao pé do ouvido, foi divinoooooo!!!!







Eu falo de amor à vida, você de medo da morte
Eu falo da força do acaso e você, de azar ou sorte
Eu ando num labirinto e você, numa estrada em linha
reta
Te chamo pra festa mas você só quer atingir sua meta
Sua meta é a seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Eu olho pro infinito e você, de óculos escuros
Eu digo: "Te amo" e você só acredita quando eu juro
Eu lanço minha alma no espaço, você pisa os pés na
terra.
Eu experimento o futuro e você só lamenta não ser o
que era
E o que era ? Era a seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Eu grito por liberdade, você deixa a porta se fechar
Eu quero saber a verdade, e você se preocupa em não se
machucar
Eu corro todos os riscos, você diz que não tem mais
vontade
Eu me ofereço inteiro, e você se satisfaz com metade
É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada ?
Sempre a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Leve o passado que eu vou já


Perdi pessoas para a distância, perdi pessoas para o rancor, perdi pessoas para a morte, perdi pessoas para outras pessoas....

O que eu ganhei já nem lembro.

Geralmente os nossos momentos felizes do passado já não são mais felizes mas os nossos momentos de dor, ainda são dor.

As memórias dessas inevitáveis e sofridas experiências me deixou como legado o medo da repetição, o temor pelo retorno da sensação de perda e um impulso em direção à solidão.

Me veio a cabeça um escritor chamado Marcel Proust que, no fim de sua vida concluiu que todos os anos que ele sofreu foram os melhores de sua vida pois fizeram-no ser quem era. Os anos em que foi feliz, considerou-os desperdício total, não aprendeu nada.

Confio por demasiado nisso e agradeço o resquício de otimismo.

terça-feira, 18 de março de 2008

Vivemos


Vivemos a espiar o que nos foi negado.

Vivemos a menosprezar o que a custo conseguimos.

Vivemos a observar a escuridão que está a nossa volta e esquecemos da beleza que a pouca claridade nos fornece.

Vivemos a apontar todos os desprazeres que encontramos no caminho.

Vivemos a nos massacrar pelos erros que cometemos.

Vivemos a lembrar de pessoas que a muito já nos esqueceram.
Assim vivemos para esquecer que um dia morreremos.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Os peixinhos também possuem fé?

Eu tinha três bichinhos de estimação:
Piado - meu canário

Miado - meu gatinho

Molhado - meu peixinho

O Piado e o Miado foram para São João Del Rei e só me restou a companhia do Molhado.

Ontem quando cheguei em casa, fui lavar o aquário do Molhado e foi nesse exato momento que me surgiram conclusões sem nenhuma interferência já que eu estava sozinha.

Fiquei pensando, se eu lavo o aquário do meu peixinho, posso ser considerada deus pra ele?
Acho que posso.

Nesse momento, me senti a pessoa mais importante do mundo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Talvez hoje eu dê umas batidinhas de leve no vidro só pra mostrar que sou onipotente.

:)

Que viagem!!



segunda-feira, 10 de março de 2008

Se eu não lembro eu não fiz? Eu me lembro de sexta.


Existem erros que nos perseguem. Talvez por não termos sido perdoados.
Os erros tão bem guardados que você só se dá conta que os está repetindo quando já é tarde demais.
Eles se renovam.
Nos deixamos escravizar por uma mentira caracterológica sobre nós mesmos e todos os nossos erros viraram culpa de outra pessoa. É mais fácil colocar a culpa em outra pessoa.
Gostaria de completar esse texto com todas nas minhas animalidades de caráter, só que existem alguns incidentes de mesquinharia, traição e vergonha que seriam excessivamente humilhantes enfrentar aqui. Fora a possibilidade de ser descoberta por olhos conhecidos.
E, evidentemente, esse texto acabou virando uma complexa autojustificação.
Não posso dizer diretamente o que me incomoda e apresento uma enxurrada de frases sem sentido.
Esse post não merece atenção, no fundo ele quer dizer algo de errado que aconteceu na sexta mas, pela covardia de quem o escreveu, não passa de nuances de uma história barata para tentar achar justificações.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Constelação familiar


Acredito que muito do que sentimos está condicionado às experiências originárias no interior da constelação familiar.

Nossa família, até onde formamos percepções e confiança, nos serve de espelho.

Se esse espelho estiver por demasiado arranhado ou com visão distorcida, embaçada, pode-se existir um problema.

Uma criança amada, forma um sentimento de onipotência mágica, uma percepção de própria indestrutibilidade, uma sensação de apoio firme.

Freud por exemplo, graças à sua mãe e ao favorável ambiente inicial de sua vida, conhecia a coragem e a confiança que isso dava a uma pessoa e ele próprio enfrentou a vida e um câncer fatal com heroísmo estórico.

Outro exemplo é o de Schopenhauer que não só odiava a mãe como também considerou a morte sua musa na filosofia, trazendo com isso, alguns transtornos pessoais.

A maioria das pessoas vai ter guardado na lembrança um parente com dificuldades em se posicionar no mundo em algum sentido.

Agora, qual o real motivo? Onde está a estrela mal vista dentro da constelação familiar?

Talvez quando tivermos maturidade para conseguir respostas a essas e outras tantas perguntas, consigamos pegar o rumo de uma mudança consciente.

Eu posso contar vitória, já sei apontar algumas estrelas más no meu céu familiar.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Essa menina não tem ambiente em casa


Tem dia que não é o dia da gente.

Ontem foi o dia que não era o meu dia.

A começar pela manhã, com o meu celular quebrado do lado da minha cama. Depois fui entender que ele tocou de madrugada e, no meio de um pesadelo, joguei-o no chão.

Por esse motivo saí de casa atrasada, peguei um trânsito infernal e não achei vaga em frente onde eu trabalho.

A tarde tive uma reunião onde "nabadas" não faltaram.

A noite, quando já estava voltando pra casa, presenciei a amorfosidade de um beijo entre um casal. Pareceria normal se meu ex não fizesse parte dele.

E pra finalizar, tinha uma vaca fantasiada de barata bem na porta do meu quarto.

PQP!!!!!!!!!!!!!!

Podia ter acontecido tudo o que aconteceu, daria até um ar de dia comum com o diferencial de uma pequena dor de cotovelo, MAS A BARATA FOI UM GOLPE DE MESTRE.

Conseguiu realmente me fazer chorar.


terça-feira, 4 de março de 2008

Baixa a bola que o jogo é de botão


Vivemos num mundo de aparências voltado para simbolismos agregadores de poder.

Jogamos confetes em nós mesmos para nos sentirmos poderosos.

Estamos delegando poder aos que não aparecem e assumimos vantagem em cima disso.

Enxergamos olhos de admiração que nos transmitem segurança e inflam nosso ego.

Deixamos claro que só ficaremos à vontade se estivermos junto aos que partilham desse mesmo jogo.

Menosprezamos classes inferiores e nos dizemos deuses de alguma coisa.

Nos sentimos tristes por bagatelas.

Somos completos quando consumimos das marcas mais caras.

Sentimos alegria com prazeres da vida enquanto muitos ao sorrir sentem suas faces doloridas pela falta de prática.

E no final, bem no final, quando terminamos de ser quem somos, não resta nada. Nem o que consumimos, nem a admiração das pessoas, nem confetes, nem bagatelas, nem classes inferiores ou superiores, nem os prazeres da vida, nada.

Porque deixamos de pensar na única coisa importante para conseguirmos ser melhores?

Porque deixamos de pensar no nada que nós somos?